terça-feira, 7 de junho de 2011

Esperança, e só.

Hoje você faria 21 anos, e eu já caberia em seu abraço. Onde você estiver, já percebeu que muita coisa por aqui mudou, menos a dor dessa saudade triste que a gente sabe que não vai passar, porque só aumenta. Já faz tanto tempo, e nunca deixa de parecer que foi ontem, é ferida que não cicatriza. Você faria 21, e é sofrido não conseguir imaginar como teriam sido os últimos oito anos se você estivesse aqui.
E em dias como hoje, lembro que isso que chamamos de futuro, na verdade é só a esperança de que as coisas aconteçam como planejamos. E nem sempre é assim. Aí vem a esperança de que exista mesmo uma sabedoria superior, pra justificar sua ausência e esse vazio. E fica a esperança de encontrar você num sonho qualquer, só pra ouvir sua voz. E assim vou arrumando um jeito de trocar a tristeza por algo que conforte, só até a próxima lembrança.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Parabéns, Brasil.

Meu nome é Amanda, sou brasileira, maior de idade, alfabetizada e capaz. Estou com minhas contas pagas e em dia com as obrigações cívicas. Sou livre pra ir e vir, e pra votar nos candidatos que escolher sem ter que prestar contas a ninguém. Meu tipo de sangue é A+, e eu posso doá-lo se quiser. Posso me oferecer pra ser cobaia de uma pesquisa científica. Posso usar piercing, pintar o cabelo de verde, tatuar uma foto de Justin Bieber nas costas. Não que eu queira, mas posso. Isso é liberdade. Hoje os gays comemoram o sucesso do reconhecimento da união homoafetiva pelo STF. Fantástico, um grande passo pra um país em desenvolvimento. Não estou levantando bandeira, porque não acho mesmo que ninguém seja diferente de mim simplesmente por ser homossexual. "Fulano é gay", sim... e daí? Aliás, a pergunta certa é: e eu com isso? Nada. Se os dois envolvidos são adultos e estão juntos por livre e espontânea vontade, por que não poderiam ter os mesmos direitos dos heterossexuais nesta situação? Não estão ofendendo nem machucando outras pessoas. Ah, você é hetero e não admite casais gays? Desculpe, eu também sou, mas o que eu não admito mesmo é ver índio queimado na rua, criança fumando crack, pai jogando filha pela janela, avô estuprando neta, malandro roubando o que o pessoal trabalha pra conseguir, essas coisas.
Posso até estar errada, mas meu raciocínio é bem simples: se não quero ninguém dizendo com quem eu devo dormir, não devo fazer isso com os outros, fim de papo. O Brasil ainda é muito novo, só agora começou a aprender que o direito de uma pessoa termina exatamente onde começa o da outra. Tomara que aprenda rápido, então.

domingo, 1 de maio de 2011

Sublime

Sexta-feira, Catedral Metropolitana de Aracaju, apresentação da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Enquanto esperava começar, fiquei prestando atenção às pessoas que chegavam pra assistir também. Aracaju é um lugar em que axé e forró dominam a preferência musical da população, então, sempre que posso, observo o perfil de quem aprecia outros estilos. Era uma noite de tempo fechado e chuva fina, não muito convidativa a sair de casa, mas ainda assim, havia gente lá. Senhoras, famílias, um pessoal com camisas de bandas de rock e cabelo até a cintura, alguns alunos de escolas públicas da redondeza, enfim, gente de todo tipo. Enquanto o maestro falava sobre a apresentação daquela noite, um senhor entrou por uma das portas laterais e sentou-se no mesmo banco que eu. Antes disso, tirou respeitosamente o boné que estava usando, e encostou um guarda-sol no banco da frente. Ele estava descalço e segurava uma flanela, era guardador de carros. A Orquestra começou, e ele mal piscava os olhos, de tanto interesse. Pra encerrar a noite, uma suíte do Lago dos Cisnes, que ele acompanhou com olhos marejados. Pela expressão do rosto daquele homem, tive a certeza de que a música é mesmo uma linguagem universal. Talvez ele não conhecesse a estória que o Lago conta, mas estava entendendo perfeitamente a mensagem. Nos acordes mais suaves, lágrimas apareciam, nos mais graves, a testa franzida, e quando as castanholas tocavam, ele dava um meio sorriso, aliviado. A orquestra e o maestro foram sensacionais, mas precisam me desculpar, porque aquela noite, o espetáculo ficou por conta de um flanelinha apreciando Tchaikovsky.

domingo, 1 de agosto de 2010

Orgulhe-SE

A Praça São Francisco, em São Cristóvão, agora é Patrimônio Mundial. O Brasil tem apenas 18 bens nesta lista, e um deles é nosso. Sou sergipana, com orgulho, e espero que este seja o começo de um movimento pela nossa identidade cultural. Sergipe tem muito potencial, só precisa ser um pouco mais valorizado, pelos outros e por nós mesmos. Vamos parar de inventar sotaques, e perder a vergonha do "T" forte. Parar de supervalorizar qualquer coisa que venha de fora. E que tal se deixarmos de viver apontando os erros e defeitos, e tentarmos melhorar o que ainda não está bom? Sergipe tem seus problemas, como qualquer outro lugar desse país, mas também tem suas vantagens, que não são poucas. Chega de elogiar o jardim do vizinho, que se for mesmo mais verde, é porque tem alguém cuidando melhor.

Clique aí! http://pracasaofrancisco.se.gov.br

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Que maravilhas?

Eu adoro Johnny Depp. Acho que poucos atores conseguem ser tão bons e completos quanto ele. Depp é o queridinho de Tim Burton, e essa combinação tende a dar certo. A Disney fez uma senhora campanha de marketing, e "Alice no País das Maravilhas" tinha tudo pra dar certo, já que a estória é uma viagem psicodélica que Burton saberia conduzir de uma forma incrível. Acreditando nisso, esperei ansiosamente por Alice. E as expectativas só serviram pra me frustrar.
Fui ver o filme e saí decepcionada. É uma mistura nonsense de "Alice no País das Maravilhas" com "Alice Através do Espelho", sem explicar muita coisa ou prender a atenção do espectador. É uma overdose de colorido, que com certeza vai ganhar prêmios técnicos no Oscar, mas é só. A trama é rasa, chata e cheia de bons atores desperdiçados. Uma pena.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cri... cri... cri...

Bolas de feno passando e grilos cricrilando. Eis o cenário deste blog. Nem lembrava da existência dele, pra ser bem sincera. Mas sabe como é o tal do vício, vira e mexe, vem a recaída. Pois é, aqui estou. Desde julho muita coisa aconteceu, e não sei nem por onde começar. Vai demorar um pouco até que eu pegue novamente o ritmo da empolgação, mas eu chego lá. Bem, eu acho.

domingo, 12 de julho de 2009

E agora?

Estou simplesmente apavorada pela falta do que escrever aqui. Eu poderia falar sobre Michael Jackson, que acredito, só deixará de ser o assunto do momento depois que finalmente for enterrado (será?). Mas fale a verdade, você ainda aguenta ler sobre isso? Nem eu. A morte da travesti que saiu com Ronaldo também seria uma opção, e aqui estaria eu falando sobre o fato de nenhum meio de comunicação ter usado o termo "AIDS", dando preferência a "Síndrome da Imunodeficiência Adquirida", pra o público "Homer Simpson" achar que ela morreu de uma doença rara, e nunca ligar o fenômeno ao vírus HIV. Mas isso você já viu também. Ah, tem a polêmica sobre o diploma dos jornalistas, mas como eu sou a favor disso, provavelmente não seria um tema muito bem aceito... esqueça. Sim, eu poderia falar sobre a overdose de Roberto Carlos e sua risadinha tradicional na Rede Globo, mas eu me emocionei duas vezes vendo o show ontem, então perdi a moral pra falar do Rei e de sua perna mecânica. Então, esgotadas as óbvias possibilidades iniciais, estou sem assunto. Por enquanto, espero.